Logotipo da Next Action, uma agência de IA

Dados pessoais são informações que identificam diretamente uma pessoa ou permitem chegar à sua identidade quando combinadas com outras fontes. CPF, endereço e telefone são exemplos óbvios, mas a definição vai muito além. Registros de navegação, padrões de comportamento, histórico de atendimento e até identificadores de dispositivos podem se tornar dados pessoais dependendo do contexto.

Na Inteligência Artificial, esses dados têm papel central. Modelos aprendem a partir de exemplos e, sempre que esses exemplos envolvem pessoas, a LGPD entra em cena. Isso acontece em praticamente todo projeto moderno: chatbots, motores de recomendação, análise de tickets, triagem de currículos, detecção de anomalias e sistemas internos que processam informações de colaboradores ou clientes.

A dificuldade está em equilibrar inovação e proteção. A IA precisa de dados para funcionar. A LGPD exige responsabilidade no tratamento. Encontrar esse ponto de equilíbrio determina o sucesso do projeto.

Como dados pessoais são usados em projetos de IA

Para entender o uso correto, é importante observar como os dados entram no fluxo de IA. Na maior parte do tempo, eles são insumo para:

Treinamento de modelos

O sistema aprende padrões com base nas informações que recebe. Quanto mais representativo o conjunto, maior a precisão. Mas isso não significa que tudo deve ser coletado. Usar apenas o necessário é regra básica.

Inferência e recomendações

Mesmo depois de treinado, o modelo continua recebendo dados pessoais para responder perguntas, gerar textos, classificar registros ou produzir recomendações. Esses dados também precisam ter propósito claro e justificável.

Análise interna

Processos como triagem de tickets, priorização de demandas, classificação de documentos ou insights sobre comportamento costumam envolver dados pessoais, ainda que de forma indireta.

Em todos esses cenários, o desafio é o mesmo: usar o que é essencial sem comprometer a privacidade do titular.

Como decidir quais dados usar

Antes de alimentar qualquer modelo, vale responder algumas perguntas que evitam exageros e reduzem riscos:

O dado é realmente necessário?

Muitas empresas coletam mais informações do que precisam, acreditando que volume gera precisão. Nem sempre é verdade. O excesso aumenta risco e raramente melhora o resultado.

É possível substituir por categorias ou dados agregados?

Para vários tipos de análise, não é preciso saber o nome da pessoa, mas sim o comportamento, o padrão ou a categoria em que ela se encaixa.

Há risco de reidentificação?

Mesmo dados anonimizados podem revelar identidades quando combinados com outras fontes. Isso exige atenção especial em contextos sensíveis.

Essas perguntas ajudam a definir a linha que separa inovação de exposição desnecessária.

Boas práticas para tratar dados pessoais em IA

Projetos maduros seguem um conjunto de práticas que reduzem risco jurídico e aumentam segurança operacional:

Mapear o fluxo de dados

Identificar exatamente o que entra no modelo, de onde vem e para onde vai. Sem esse mapa, não existe governança real.

Definir base legal adequada

Não basta encontrar uma justificativa. É preciso documentar o porquê daquela base, em qual cenário e com quais limites.

Minimizar o tratamento

Quanto menos dados, menor o risco. Retirar excessos, consolidar informações e eliminar atributos inúteis é parte do desenvolvimento.

Registrar decisões

Documentar escolhas, alternativas e análises cria trilha de auditoria e demonstra accountability.

Manter transparência

O titular precisa entender o que acontece. Isso envolve explicar a lógica envolvida, mesmo que em linguagem simplificada.

Monitorar continuamente

Modelos evoluem, dados mudam e riscos surgem. Monitorar comportamento e performance evita incidentes futuros.

Esse conjunto de práticas cria sustentabilidade no uso de IA e eleva a confiança de clientes, parceiros e equipes internas.

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